"Eu te vivo": o casamento de Arielle e Monique
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Todo casamento começa antes do altar. O de Arielle e Monique começou com um lencinho umedecido e um gesto que não tentou mudar nada. Começou com a frase "eu te vivo", dita sem medo, e com um sonho que nem existia até uma delas entrar na vida da outra.
A cerimônia abriu com uma promessa: jogar juntos, com todo mundo, os verbos amar, esperançar, respeitar e querer bem. Quem celebrou a união avisou que não era a primeira vez que fazia aquilo, mas era a primeira vez que casava uma filha. E ali, diante de famílias e amigos de olhos brilhando, dava para sentir o peso e a leveza desse momento.
O altar era um lugar de ancestralidade. Duas mulheres de candomblé, filhas de uma tradição que reconhece a força das mulheres, chegaram ali sabendo que ninguém chega a um altar sozinha. Pediram benção às avós, às mães, às tias, a todas as mulheres que vieram antes, as que sustentaram famílias, abriram caminhos e ensinaram, cada uma à sua maneira, o significado de força, amor e coragem.
No meio da emoção, um detalhe pequeno e imenso. Um dia foram ao cinema e comeram McDonald's lá dentro. Uma delas sujou a mão, e sabe o quanto isso a incomoda. A outra percebeu sem julgamento, sem achar estranho, sem fazer ninguém se sentir inadequada. Limpou a mão e disse: "Está tudo bem, isso é fácil de resolver." Depois deu de presente lencinhos umedecidos para carregar na bolsa.
Pode parecer pouca coisa. Não é. Naquele gesto estava tudo: o amor que não tenta mudar o outro, que acolhe a fragilidade, que diz "com você eu posso ser inteira, posso ser exatamente quem eu sou".
"Eu sempre falo para você: eu te vivo. E é ótimo viver." Essa frase atravessou a cerimônia inteira. Uma delas confessou que nunca achou que fosse casar, que durante muito tempo esse sonho nem existia. O que aconteceu ali foi a realização de um sonho que só passou a existir depois que a outra entrou na sua vida. Foi ela quem fez acreditar que o amor podia ser leve, seguro e verdadeiro.
E a emoção não ficou só no altar. As pessoas queriam estar ali, queriam fazer parte daquela história. Duas pessoas que podem se amar com as suas famílias, com os seus amigos, mexem com todo mundo. Fazem cada um de nós tremer um pouquinho.
Em especial pra mim, que vi a Arielle crescer foi algo inexplicavel, que vida seja uma delicia minha amiga.
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